Rotary é...

"O Rotary é uma maneira de encontrarmos o que há de melhor em nós mesmos e de deixar que esta característica guie as nossas vidas. 

Não seremos admirados pelos esforços que fizemos para tornar a nossa vida mais rica ou a nossa posição social mais elevada. 

No final, o nosso valor será medido não por aquilo que acumulámos, mas por aquilo que fizemos pelo próximo."

Presidente de Rotary Internacional 2014/2015 - KR Ravidran

 

Uma Reflexão sobre Rotary
 

Quando em 23 Fevº. 1905, Paul Harris (advogado) e os seus amigos, Silvester Schiele (negociante de carvão), Gustav Loehr (engenheiro de minas) e Hiran Shorey (alfaiate) fundaram o primeiro Rotary Club em Chicago (USA), após cinco anos de reflexão, lançaram à terra (Terra – Mundo) a semente que haveria de germinar e, transplantada por todos os continentes, dar frutos que continuam a alimentar a humanidade.

Quatro amigos transformaram-se em cerca de um milhão e quatrocentos mil companheiros e companheiras hoje a trabalharem voluntariamente em duzentos e dezoito países e regiões com o objetivo de alcançarem a paz e a compreensão mundial, ajudando os mais carenciados, procurando a inclusão social de todos, independentemente da raça, religião ou ideologia política.

São objetivos do Rotary:

- O desenvolvimeneto do companheirismo como elemento capaz de proporcionar oportunidades de servir;

- O reconhecimento do mérito de toda a ocupação útil e a difusão das normas de ética profissional;

- A melhoria da comunidade, pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e particular;

- A aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando à consolidação das boas relações, da cooperação e da paz entre as nações.

Para a realização desses objetivos o Rotary estabelece como áreas de ação:

- A consolidação da Paz e Prevenção de conflitos;

- A prevenção e tratamento de doenças;

- O tratamento da água, saneamento e higiene;

- A saúde materno-infantil;

- A educação básica e a luta contra o analfabetismo;

- O desenvolvimento económico comunitário;

- A educação ambiental.

O sonho do visionário Paul Harris e do seu grupo de amigos está aí a lutar contra a sociedade do ter, contra a cultura da especulação e da guerra, em prol de uma cultura do ser e do fazer.

Como referiu o Papa Francisco (2015) “hoje a atitude egoista da indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença”. É contra a indiferença perante a morte causada pelas guerras, a fome, a doença, o analfabetismo, a injustiça social, que o Rotary luta.

O Homem nasce humano, mas não nasce humanizado. Há que humanizar o Homem.

É preciso estudar os conflitos, aprender a geri-los, dando a primazia à paz sobre a violência.

Rotary é um grupo humano de profissionais e, como tal, associado ao inacabamento do Homem. Nasceu em 1905, ao tempo da “Organização Científica do Trabalho” que Taylor, nos Estados Unidos, e Fayol, em França, lideraram no séc. XX.

Paul Harris e os seus companheiros aperceberam-se de que o desenvolvimento económico e financeiro da revolução industrial, então em curso, necessitava de um investimento paralelo na vertente social para que o crescimento empreendido fosse sustentável. Foram precisos alguns anos para que empresários, gestores e trabalhadores entendessem essa verdade.

Ultrapassando todas as fronteiras físicas, políticas, religiosas, tudo o que artificialmente nos divide, o Rotary foi crescendo em rede pelo mundo inteiro.

A participação de Rotários na formação e desenvolvimento das Nações Unidas, especificamente da UNESCO e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a realização de projetos como a POLIO PLUS para a erradicação da poliomielite em todo o mundo, mostram o interesse do Rotary pela construção de um mundo melhor.

Para apoiar a concretização dos programas educacionais e humanitários, o Presidente Arch Klumph, em 1917, lançou a ideia da criação da Rotary Foundation que apoia todos os Rotary Clubs do mundo.

Em Portugal formou-se o primeiro Rotary Club em 23 de Janeiro de 1926, o Rotary Club de Lisboa. E em 19 de Abril de 1959 foi criada a Fundação Rotária Portuguesa (um dos fundadores foi o saudoso Compº. Rafael da Silva do RC de Almada), hoje Instituição Particular de Solidariedade Social, por todos os Rotary Clubs Portugueses, que tem oferecido muitas bolsas para estudantes carenciados e prestado serviços humanitários.

A atribuição de bolsas para a formação superior de especialistas na área social, económica e política da construção da paz mundial são mais um investimento grande que, desde 2002, se desenvolve nos Centros Rotary pela Paz subsidiadas pela Rotary Foundation.

Todos os anos o Rotary concede 50 bolsas pela Paz Mundial (mestrados) e 80 para o curso de aperfeiçoamento profissional através de concurso mundial em parceria com importantes universidades de vários países.

O trabalho que os clubes Rotários estão a realizar nas suas comunidades em prol das pessoas mais carenciadas: crianças, jovens e adultos, o apoio que muitas Companheiras e muitos Companheiros estão a dar generosamente às Associações de Solidariedade Social, a luta pela dignificação das pessoas independentemente da sua origem, religião, ideologia política, estatuto social são um contributo para a construção de uma sociedade nova, mais solidária, mais justa, mais humana.

Em consonância com este sonho da construção de uma sociedade ética, em 1932 o Rotário Herbert Taylor criou a “Prova Quadrúpla” para aplicar na relação interpessoal nas Organizações e na sociedade em geral, hoje utilizada por Rotários em todo o mundo e que define os seguintes princípios acerca do que nós pensamos, dizemos ou fazemos:

1 - É a verdade?

2 - É justo para todos os interessados?

3 - Criará boa vontade e melhores amizades?

4 - Será benéfico para todos os interessados?

Como extensão do Rotary foram, ao longo dos anos, criadas instituições que contribuem para a realização dos objetivos de Rotary na comunidade e são também fontes de recrutamento de novos rotários: o INTERACT para jovens dos 14 aos 18 anos; o ROTARACT para jovens dos 18 aos 30 anos; os NRDC’s (Núcleos Rotários de Desenvolvimento Comunitário); os Voluntários de Rotary; Grupos de Companheirismo; Intercâmbio Rotário de Amizade; Intercâmbio de Jovens do Rotary; os Prémios Rotários de Liderança Juvenil (RYLA); os Serviços à Comunidade Mundial (SCM) e as Parcerias Internacionais são um vasto campo onde o Rotary trabalha a construção de um mundo melhor.

Penso que o sucesso do Rotary deve fundamentar-se em dois pilares: a complementariedade e a harmonia dinâmica. A “complementariedade” assenta no pressuposto, cientificamente comprovado, de que não há fotocópias do ser humano; cada pessoa é um  ser único dotado de dons integrados num conjunto diferente do que os outros são. E esta constatação não é recente. Já na primeira carta de S. Paulo aos Coríntios se pode ler: “O espírito conferiu a cada um diferentes dons de tal forma que assim como os membros do corpo humano se completam para o bem do organismo inteiro, também os dons de cada um podem contribuir para o bem de todos” (cf. 1Cor 12).

Em cada Rotary Club, os seus membros devem estar conscientes desta realidade e pôr os seus dons, os seus talentos, junto dos dons, dos talentos dos outros companheiros, contribuindo assim para o bem de todos.

A “harmonia dinâmica” consiste na arte de vivermos juntos, compatibilizando os nossos dons com os dons dos outros, valorizando-os e pondo-os ao serviço da comunidade de que fazemos parte. “Sou porque somos”. Cada Rotary Club poderá, deverá ser um local privilegiado de desenvolvimento da “complementariedade” e da “harmonia dinâmica” entre os seus membros. Aí reside a chave potencial do seu sucesso, da sua eficácia presente e futura a bem da comunidade.

Termino esta reflexão sobre o Rotary evocando dois pensamentos do seu fundador e primeiro presidente, Paul Harris, nascido em 19 de Abril 1868 (USA) e falecido em 27 de Janeiro 1947:

- “A amizade foi a pedra fundamental sobre a qual o Rotary foi construído e a tolerância é o elemento que a sustenta” (Meu caminho para o Rotary)

- “Há lugar para todos e oportunidades para cada um servir o Rotary da maneira e no domínio que mais lhe convier” (Revista “Rotário Nacional”, 1912).

Ser Rotário é ser Gente que gosta de Gente; de toda a Gente.

 

António Mendes

PGD 2014-2015

RC de AlmadaUma Reflexão sobre Rotary
 
Quando em 23 Fevº. 1905, Paul Harris (advogado) e os seus amigos, Silvester Schiele
(negociante de carvão), Gustav Loehr (engenheiro de minas) e Hiran Shorey (alfaiate)
fundaram o primeiro Rotary Club em Chicago (USA), após cinco anos de reflexão,
lançaram à terra (Terra – Mundo) a semente que haveria de germinar e, transplantada
por todos os continentes, dar frutos que continuam a alimentar a humanidade.
Quatro amigos transformaram-se em cerca de um milhão e quatrocentos mil
companheiros e companheiras hoje a trabalharem voluntariamente em duzentos e
dezoito países e regiões com o objetivo de alcançarem a paz e a compreensão
mundial, ajudando os mais carenciados, procurando a inclusão social de todos,
independentemente da raça, religião ou ideologia política.
São objetivos do Rotary:
- O desenvolvimeneto do companheirismo como elemento capaz de proporcionar
oportunidades de servir;
- O reconhecimento do mérito de toda a ocupação útil e a difusão das normas de ética
profissional;
- A melhoria da comunidade, pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e
particular;
- A aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando à consolidação das boas
relações, da cooperação e da paz entre as nações.
Para a realização desses objetivos o Rotary estabelece como áreas de ação:
- A consolidação da Paz e Prevenção de conflitos;
- A prevenção e tratamento de doenças;
- O tratamento da água, saneamento e higiene;
- A saúde materno-infantil;
- A educação básica e a luta contra o analfabetismo;
- O desenvolvimento económico comunitário;
- A educação ambiental.
O sonho do visionário Paul Harris e do seu grupo de amigos está aí a lutar contra a
sociedade do ter, contra a cultura da especulação e da guerra, em prol de uma cultura
do ser e do fazer.
Como referiu o Papa Francisco (2015) “hoje a atitude egoista da indiferença atingiu
uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença”. É
contra a indiferença perante a morte causada pelas guerras, a fome, a doença, o
analfabetismo, a injustiça social, que o Rotary luta.
O Homem nasce humano, mas não nasce humanizado. Há que humanizar o Homem.
É preciso estudar os conflitos, aprender a geri-los, dando a primazia à paz sobre a
violência.
 
Rotary é um grupo humano de profissionais e, como tal, associado ao inacabamento do
Homem. Nasceu em 1905, ao tempo da “Organização Científica do Trabalho” que
Taylor, nos Estados Unidos, e Fayol, em França, lideraram no séc. XX.
Paul Harris e os seus companheiros aperceberam-se de que o desenvolvimento
económico e financeiro da revolução industrial, então em curso, necessitava de um
investimento paralelo na vertente social para que o crescimento empreendido fosse
sustentável. Foram precisos alguns anos para que empresários, gestores e
trabalhadores entendessem essa verdade.
Ultrapassando todas as fronteiras físicas, políticas, religiosas, tudo o que artificialmente
nos divide, o Rotary foi crescendo em rede pelo mundo inteiro.
A participação de Rotários na formação e desenvolvimento das Nações Unidas,
especificamente da UNESCO e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a
realização de projetos como a POLIO PLUS para a erradicação da poliomielite em todo
o mundo, mostram o interesse do Rotary pela construção de um mundo melhor.
Para apoiar a concretização dos programas educacionais e humanitários, o Presidente
Arch Klumph, em 1917, lançou a ideia da criação da Rotary Foundation que apoia
todos os Rotary Clubs do mundo.
Em Portugal formou-se o primeiro Rotary Club em 23 de Janeiro de 1926, o Rotary
Club de Lisboa. E em 19 de Abril de 1959 foi criada a Fundação Rotária Portuguesa
(um dos fundadores foi o saudoso Compº. Rafael da Silva do RC de Almada), hoje
Instituição Particular de Solidariedade Social, por todos os Rotary Clubs Portugueses,
que tem oferecido muitas bolsas para estudantes carenciados e prestado serviços
humanitários.
A atribuição de bolsas para a formação superior de especialistas na área social,
económica e política da construção da paz mundial são mais um investimento grande
que, desde 2002, se desenvolve nos Centros Rotary pela Paz subsidiadas pela Rotary
Foundation.
Todos os anos o Rotary concede 50 bolsas pela Paz Mundial (mestrados) e 80 para o
curso de aperfeiçoamento profissional através de concurso mundial em parceria com
importantes universidades de vários países.
O trabalho que os clubes Rotários estão a realizar nas suas comunidades em prol das
pessoas mais carenciadas: crianças, jovens e adultos, o apoio que muitas
Companheiras e muitos Companheiros estão a dar generosamente às Associações de
Solidariedade Social, a luta pela dignificação das pessoas independentemente da sua
origem, religião, ideologia política, estatuto social são um contributo para a construção
de uma sociedade nova, mais solidária, mais justa, mais humana.
Em consonância com este sonho da construção de uma sociedade ética, em 1932 o
Rotário Herbert Taylor criou a “Prova Quadrúpla” para aplicar na relação interpessoal
nas Organizações e na sociedade em geral, hoje utilizada por Rotários em todo o
mundo e que define os seguintes princípios acerca do que nós pensamos, dizemos ou
fazemos:
1 - É a verdade?
2 - É justo para todos os interessados?
3 - Criará boa vontade e melhores amizades?
 
4 - Será benéfico para todos os interessados?
Como extensão do Rotary foram, ao longo dos anos, criadas instituições que
contribuem para a realização dos objetivos de Rotary na comunidade e são também
fontes de recrutamento de novos rotários: o INTERACT para jovens dos 14 aos 18
anos; o ROTARACT para jovens dos 18 aos 30 anos; os NRDC’s (Núcleos Rotários de
Desenvolvimento Comunitário); os Voluntários de Rotary; Grupos de Companheirismo;
Intercâmbio Rotário de Amizade; Intercâmbio de Jovens do Rotary; os Prémios
Rotários de Liderança Juvenil (RYLA); os Serviços à Comunidade Mundial (SCM) e as
Parcerias Internacionais são um vasto campo onde o Rotary trabalha a construção de
um mumdo melhor.
Penso que o sucesso do Rotary deve fundamentar-se em dois pilares: a
complementariedade e a harmonia dinâmica. A “complementariedade” assenta no
pressuposto, cientificamente comprovado, de que não há fotocópias do ser humano;
cada pessoa é um ser único dotado de dons integrados num conjunto diferente do que
os outros são. E esta constatação não é recente. Já na primeira carta de S. Paulo aos
Coríntios se pode ler: “O espírito conferiu a cada um diferentes dons de tal forma que
assim como os membros do corpo humano se completam para o bem do organismo
inteiro, também os dons de cada um podem contribuir para o bem de todos” (cf. 1Cor
12).
Em cada Rotary Club, os seus membros devem estar conscientes desta realidade e pôr
os seus dons, os seus talentos, junto dos dons, dos talentos dos outros companheiros,
contribuindo assim para o bem de todos.
A “harmonia dinâmica” consiste na arte de vivermos juntos, compatibilizando os nossos
dons com os dons dos outros, valorizando-os e pondo-os ao serviço da comunidade de
que fazemos parte. “Sou porque somos”. Cada Rotary Club poderá, deverá ser um
local privilegiado de desenvolvimento da “complementariedade” e da “harmonia
dinâmica” entre os seus membros. Aí reside a chave potencial do seu sucesso, da sua
eficácia presente e futura a bem da comunidade.
Termino esta reflexão sobre o Rotary evocando dois pensamentos do seu fundador e
primeiro presidente, Paul Harris, nascido em 19 de Abril 1868 (USA) e falecido em 27
de Janeiro 1947:
- “A amizade foi a pedra fundamental sobre a qual o Rotary foi construído e a tolerância
é o elemento que a sustenta” (Meu caminho para o Rotary)
- “Há lugar para todos e oportunidades para cada um servir o Rotary da maneira e no
domínio que mais lhe convier” (Revista “Rotário Nacional”, 1912)
Ser Rotário é ser Gente que gosta de Gente; de toda a Gente.
 
António Mendes
PGD 2014-2015
RC de Almada

Lema do Ano